Apetite Poético
Que apetite,
Que fome é essa que vem do nada.
E essa sede sem noção!
Vontade de ter – Um querer sem saber o quê...
Já sei, poesia!
Doce como só ela pode ser.
Esse sabor...
Esse alento...
Esse desejo...
Suave mantimento...
Remédio sagrado para a tristeza da vida,
Para as saudades não resolvidas,
Para os amores malacabados.
Para as vidas não vividas!
Poesia: Simples, não acha?
Não precisamos de muito para achar conforto!
Um pouco de Drummond,
Da Adélia,
Do Quintana e lá estamos nós felizes outra vez
Ainda que tristes, mas felizes.
Estamos?...
Perdoe-me por incluir-te sem permissão,
Mas acho que todos somos muito parecidos.
Todos temos fome e sede de poesia!
18.6.09
7.5.09
fazendo moradia onde não foi convidado
e assim bem rapidinho, tudo é inquietação
Calmaria! Calmaria, na busca de te reencontrar
sinto que te perco ainda mais
sinto que me perco ainda mais
Mas a ti faço um pedido,
perdoe esse coração errante e volte
em troca te ofereço eterno abrigo
Não demores
vem assim do nada, como uma brisa suave
volte pois aqui será sua eterna morada
Érika Ramos, poeta em franca autodescoberta.
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13.4.09
O nó
O nó no gargomi,
a enxurrada de lágrimas,
o peito apertado.
É saudade.
É vontade.
Nostalgia...
É tristeza “braba”,
que chega de mansinho e quando a gente vê... já era!
A alma já não tem força pra resistir.
Deseja... e não pode ter...
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23.3.09
Eu vi a menina triste. Sua alma escondida, aparenta ferida que não se tratou nesta vida. Seu semblante caído, coração afligido de quem parou de sonhar. Sonha, sim, sonha pesadelos desconexos. Clama, quer ajuda, sem saber que clama ou que anseia por redenção.
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12.2.09
Explicando a saudade
Poema de um querido amigo
A gente conhece a pessoa.
Sem pedir,
sem querer,
sem ao menos consultar...
Simplesmente conhece.
Seus sorrisos, suas lutas, sua história.
Daí, aquele tempo vence.
O tempo de boas risadas, filmes, troca de experiências.
E sem maiores diferenças a pessoa vai para o próximo nível do jogo da vida.
Ficam os flashes das fases dos jogos que foram jogados juntos.
Isso é a saudade!
Lembrança de alguém que lhe ajudou, trouxe alegria, dividiu experiências e se foi por um atalho que você não entrou...
Tenho saudade...
Humberto Reis Coutinho Júnior (Xará)
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11.2.09
Se vais sofrer, sofre com gosto. Sofre fortemente e sofre com beleza artística das tragédias gregas. Pois quem sofre sem beleza, dá pena! Dá dó... Que pobreza esta: ser motivo de dó!
Tu, se tiveres de sofrer...sofre então, mas com musicalidade cortante. Saia de ti uma sonata melancólica que, de tão bela, não te permita sofrer só!
Chore, com poesia. Grite, com melodia. Incline a fronte, com reverência litúrgica. Não, nunca dê
motivos para que tenham pena de ti.
Tu, que sofres, aprendas a sofrer e sofre como sofrem os poetas!
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9.2.09
Não, não temo perder-te! Temo ficar sem ti...
Temo distância – o monstro-mor que nos afronta constantemente –, temo o temor da solidão incomunicável, da impossibilidade do toque, do sopro gélido da tristeza sem o consolo da convicção de que tudo está no caminho (certo) e a caminho.
Deus não nos desampare e abra portas, aplaine os outeiros e nos dê a coragem e ousadia necessárias para continuarmos a lutar!
Diante das dúvidas, tristezas, dores e “des-espero”... tento esperar, tento não parar, esforço-me para crer!
Diante de tudo isso, Amo!
Amo você.
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5.2.09
Oração do Poeta
Livra-me, ó Deus, da infertilidade poética.
Arranca-me da miséria das palavras secas;
Não permita que apenas martelos e pregos saiam de meus lábios.
Faz brotar em minha boca fontes ricas de águas vivas.
Não, não volte meu coração às palavras torpes,
Nem me perca no desvario doentio das expressões funestas.
Me limpa dos chulos vocabulários.
Dá-me a fertilidade dos sagrados versos,
Para que seja doce meu falar e temperada minha ira.
Ouve-me, e atende minha súplica!
Sê comigo, ó Santo, dá leveza ao meu falar.
Amém.
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Como choro em silêncio de criança castigada.
E os versos já não têm a cor da alegria
E o ritmo se torna lúgubre;
O poeta se expressa, faz-se pintura mal-acabada todos os dias.
Mistura-se seu pranto ao lamento rouco de tantos e tantos aflitos.
Tudo lhe fere!
Frágil,
Empático,
Recebeu a sina dos profetas.
O pedinte faminto,
A criança pobre,
As mulheres sujas, raladas da vida.
Tudo é lança em seu peito!
Belo é o mundo,
frondosas as árvores,
viçoso o relvado que entapeta o chão...
Mas o poeta é triste, e não há o que lhe faça sorrir.
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22.11.08
Saneamento
Se essa rua,
Se essa rua fosse minha.
Eu mandava,
Eu mandava asfaltar.
Com piche, com piche de petróleo...
Para os meus, para os meus pobres passarem!
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7.11.08
Ao teu encontro
Bem cedinho...
Pensei em ti.
Imaginei sua luz,
Te liguei;
Nos falamos,
Te exaltei em versos,
Expus minha total carência de ti.
Não adiantou!
Foi pouco.
A distância,
Essa constante parceira,
Impediu-me o toque,
Os beijos,
A veneração contemplativa,
A admiração festiva,
O vislumbre extasiaste de tuas formas tão formosas.
Princesa!!!
Meu raio de sol,
Espera-me e te encherei de carinhos mil.
Prepara-te e laurear-te-ei diante todas as mulheres.
Ama-me com teu amor e serei feliz!
Dá-me das delícias que há em ti e regozijarei em contentamento sem fim!
Espera-me, pois irei.
Enfeita-te, pois a ti celebrarei.
Alegra-te, música minha, pois hoje dançarei ao seu som!
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24.10.08
Jeito mineiro
Quando visito a casa de alguém, o que lá não me for oferecido de maneira nenhuma pego, aceito ou peço; com raras exceções, principalmente se esta exceção for um livro (diante de algumas obras literárias vale a pena nos transformar em pedintes).
E quem oferece algo e realmente quer dar não diz: “Quer?”
Se há uma real vontade de dar, diz coisas como:
“Come!”
“Pega!”
“Toma!”
“É seu!”
Como afirmavam meus pais, quem diz “Quer?” na verdade dar não quer.
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"O transe poético é o experimento de uma realidade anterior a você. Ela te observa e te ama. Isto é sagrado. É de Deus. É seu próprio olhar pondo nas coisas uma claridade inefável. Tentar dizê-la é o labor do poeta."
Adélia Prado
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9.9.08
Vocês
Que musicalidade maravilhosa.
Você, letra...
Ela, melodia dançante...
Música boa de se ouvir,
Ela, pintura bela,
Você, moldura de fino trato.
Essa musicalidade,
Essa beleza,
Essa fluidez de graça – tudo isso é dom divino!
Por isso não há que se falar de um sem o outro.
Não se fala de jardins sem mencionar flores,
Nem de verão sem sol,
Tampouco de inverno sem frio ou amor sem sacrifício.
Assim são vocês, complementares...
Confluentes, convergentes entre si...
Uma completude invejável
Encontrada somente naqueles em quem vemos o brilho de Deus.
Saibam, não seriam quem são sem a benção do encontro que os uniu.
E é só por isso que quebro um tabu,
O de que poemas não são encomendáveis,
E escrevo estes versos para com eles presenteá-los,
Já que me foram desavergonhadamente pedidos em tom de
De tudo o que gostaria de dizer-lhes,
E as palavras me faltam para me expressar com clareza,
A fim de que tenham noção de minha admiração,
Confesso-lhes que espero ser dadivado por Deus com as mesmas
Inveja ou não, desejo essa sublimidade para mim e minha amada.
Inveja ou não, também quero crescer e me tornar um com aquela que
Que nos criou, homem e mulher, a fim de que fóssemos um,
Como ele mesmo o é, ainda que sendo trino!
Que essa música poética não cesse,
Que o olhar vigoroso e alegre não se esvaia,
Que o fervor da fé se mantenha vivo em vocês,
E que continuem a frutificar sempre...
Saúde, paz e bem, meus eternos amigos!
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6.9.08
Ouve-se um som,
Uma melodia,
Canção de lamentação.
Ouve-se uma melodia chorosa,
Vem de dentre as montanhas,
É saudade,
É lamento,
É convite,
Pedido de retorno.
É a terra que clama e chama seu filho, dizendo:
Volta! Torna a pisar aqui! Vem!!!
O exilado ouve, atento, coração condoído,
Olhos lacrimejantes,
Não solta nem um “ai”.
Sua face impassível, inerte como os cactos das regiões desérticas,
Olha e não vê;
Suas mãos, sedentas, desejam mas não podem tocar;
Suas narinas procuram mas não encontram o odor fresco do recanto encantando.
Só ouve,
Ouve em silêncio a doce cantiga,
Ouve os sussurros de dentre as montanhas,
É o canto das Minas, Minas Gerais!
É o choro das Minas,
É saudade, saudade de Minas, essa terra da gente!
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Quando tens a certeza de que não há motivo para se envergonhar
E também a certeza de que teu consolo não virá do calor de alguém,
Estejas certo, estás só!
Chora alto,
Canta em bom som,
Grita, se for preciso;
Aproveita o momento, pois estás só!
Prova a dor e sê forte,
Não deverá durar muito a solidão.
Quando ouves teu eco, quando teu pranto soa como melodia soturna
Sem que haja alguém para tocar-te, sim, estás só!
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7.8.08

Floresia
Quando me surgiu aquele suspiro,
e clara como copos de leite que me chocara.
Do seu aroma nunca antes provei,
Perfume suave, deleitoso,
Não há como rejeitar.
Mil damas da noite, com seu odor sensual,
Não usurpariam a atenção das minhas narinas ante sua flagrância.
Gira sol, gira lua e estrelas faiscantes,
Giram em minha mente incontinente que não se cansa de pensar,
Nem se furta o meu corpo em te desejar -- embriaguês lúcida.
Se os homens, mornos e inertes,
se prestaram à bebedeira;
preguiçosos e esmorecidos,
capitulam-se em dormideiras sem fim,
minha alma não descansou por saber que existes, mulher desejada!
Meus olhares miram a ti e faço questão de proferir-lhe um aviso:
Saiba, mulher-menina, nestas terras comigo ninguém pode!
De lírios... Sim, com eles construirei uma coroa formosa,
Laurear-te-ei diante de todas as rosas.
Em oposição aos meus gestos de paixão,
Dália se negou a me apoiar,
Margarida, tia idosa, sua benção não quer nos dar.
Impassíveis, não aceitam meu caminho!
Contudo, ainda assim hei de preparar-nos um ninho de amor,
Havendo nele um leito cândido,
Num aposento decorado por rubras romãs e folhas de parreira.
Prepararei vestes alegremente coloridas,
De tons fortes, para um contraste harmonioso com sua face angélica.
Coisa essencial não nos faltará:
melodia erótico-poética,
dançaremos fervorosos ao som delicioso de um tango.
E nossos beijos não cessarão,
Será exatamente assim -- beijos, flores e paixão!
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25.7.08
A leitura que realmente importa
O que lês?
Conta-me, por favor!
Lês o que escrevi ou o que queres ver?
Na dúvida, leia a ti mesmo com afinco e diligência,
Que depois leras tudo o mais com primor e excelência!
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Poeta miúdo
O poeta é que é miúdo
Por isso tem poemas curtos
É também meio abelhudo
Um tanto insano e encrenqueiro
Sempre está em apuros
O poeta é diminuto
É de água doce
Mas se tem espírito arguto
Por menor que fosse
É garantia que seja astuto
Agora o poeta interrompe a melodia
Encerra a rima e termina o poema
Acabou!
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Poema miúdo
O poema está miúdo
Não quer crescer
“Onde está seu conteúdo?”
Vão indagar sem compreender
Como se fosse fácil
Como se fosse um espirro
Nada lhes parece difícil
Pois bem, o poema é miúdo
E não me importa quem
Pode ser até peixe graúdo
O poema ficará assim – do jeito que ninguém quer
Miúdo – Do jeito que eu quero
Os críticos eu saúdo
Com este poema
Que não me custou muito esmero
E se quer saber, para mim não há problema!
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A um jovem poeta
Amigo poeta, não entendo por que te queixas acerca de tua aceitação. Já devíeis saber que teu caminho implica solidão. Se tens um peito escancarado e uma alma desprotegida, assume teu padecer e entende que não tens escolha; predestinado estás a ter os sentimentos do mundo e um coração desnudo. És poeta!
Não, de ninguém deves esperar compreensão. Certamente haverá aqueles que, como tu, possuem olhos sensíveis para ver a vida não apenas como campo de batalha, arena de competições, jogos de morte... Estes o Eterno porá em teu caminho.
Descansa, chora o teu choro em paz. Permita que espontaneamente outros se ajuntem a ti. Canta o teu canto silencioso, quem tem os ouvidos abertos para a melodia da vida, aqueles que possuiem absoluta percepção das coisas sublimes hão de escutar teu lamento e unir-se-ão a ti.
Entende: possuís o lamento dos profetas, a voz que alardeia precavendo contra a devastação do ser!
Contudo, saiba cessar o teu canto quando, tomado de fadiga, já não tiveres mais força pra alardear. Descansa, reforça-te, anima-te outra vez, para que possas mais tarde continuar.
Lembra-te do Eterno. Recorda-te que, ainda que tua própria sombra te abandone e o rejeite, tens nele amigo constante. Não te deixarás! À sobra dele poderás sossegar!
De mais a mais, viva, chore, ria; sinta alucinadamente os sentimentos que te vêm ao peito – ame com paixão, se apaixone com amor, odeie o repugnante e o sórdido. Despreze as superficialidades da vida e – muito importante – corra pelos caminhos menos percorridos, pois estes reservam as melhores fontes para se refrescar a alma. Sejas tu e não outro, alegra-te em quem tu és sem acomodar-te deixando de buscar ser mais do que isso; satisfaça o teu coração naqueles que lhe foram presenteados como irmãos-amantes. E por fim, permita-me repetir, lembra-te do Eterno!
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22.7.08
Matéria-prima
Se falta-nos a paz, censuramos a guerra; se estamos pobres, vociferamos contra a desigualdade social; estando exilados numa terra distante, versamos saudosamente sobre as maravilhas de nosso chão, nossa terra abandonada.
O que me falta agora é minha querida, que está distante! E meus versos são ecos de um canto solitário. Lamento! Indignação diante do tormento do desejo: a espera!
Quero vê-la, tê-la em meus braços e poder sentir e olhar cuidadosamente cada detalhe seu que mais me agrada. Havendo sua ausência, tento elaborar retratos, pinto quadros com imagens feitas de palavras, imagens que buscam refletir sua indelével beleza.
Tudo por causa da ausência, matéria-prima...
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Sobre jardineiros e jardins
Havia um jardineiro e, claro, havia também o seu jardim. Só que este jardineiro era iniciante, um amador na arte do cultivo das plantas. Arte esta que, diga-se de passagem, é mui fascinante e complexa – basicamente um relacionamento, pode-se dizer. Sim, relacionamento... jardineiro bom é aquele que sabe se relacionar com suas plantas.
Este era aprendiz. E, saiba, o pobre coitado não tinha a sensibilidade comum aos sábios mestres da jardinagem. Ele estranhava as reações das suas flores, não conseguia encontrar os melhores adubos e regava-as às vezes em demasia, às vezes insatisfatoriamente.
Passado algum tempo, o jardineiro observou a mudança das suas tão jovens flores. Ah, elas tinham um rosto abotoado, suas folhas não mais estava viçosas e o cheiro perdeu o seu aroma fresco, perfumoso, que ele adorava inalar todas as manhãs; era primeira coisa que fazia, acordava e se dirigia aos fundos da casa, onde se encontrava a seu mais recente prazer: o jardim.
Ao notar a mudança de aparência das flores, ele também mudou. Perdeu o prazer de estar entre os suspiros, desgostou-se de passar seus dedos nas azaléias, desprezou as samambaias. Pensou que a mudança era pessoal. A única coisa que conseguia sentir era ira. Certamente aquelas plantas eram esnobes e arrogantes, rejeitaram-no como jardineiro. Não queriam que ele continuasse a ser seu cuidador! Insolentes...
Não soube interpretar a fala das flores. Não pode interpretar suas faces tristes e nem seu pedido de ajuda. Não pode ele entender que precisava aprimorar seu estilo de poda. Aprender a aparar corretamente uma planta é como saber dar um vestido a uma mulher, pode-se alegrá-la imensamente, como também frustrá-la. Afinal, seu corpo é que está em jogo... Não sabia tocar em suas folhagens, suas pétalas não eram tangidas com amor... Elas sentiam e se negavam a continuar sendo tocadas. Não aprendera a regá-las devidamente. A água não é saborosa, diferente de um bom vinho, contudo em momentos de sede a provamos como néctar dos deuses. Água demais enche; água de menos resseca! Ele não compreendera a simplicidade da vida existente em seu horto particular...
O jardineiro não sabia jardinar. Era aprendiz só no nome, pois não se dispôs a aprender. Não conhecia a sensibilidade das plantas, frustrou-se ao tentar se relacionar com elas e frustrou-as também.
Não há jardim bonito sem estímulo do jardineiro. Digamos que os jardins têm o rosto do seu cuidador. As flores, tímidas que são, reagem docilmente aos gestos e à poesia do toque gentil daquele que as ama. Tudo depende de quem cuida...
O pobre homem em questão decidiu abandonar seu posto. Não soube conquistar o sorriso faceiro das flores do seu próprio jardim, e por isso não fora mais presenteado com perfumes celestes, amostras do paraíso. Mal sabia ele que o jardim agora era a sua imagem, ele imprimira suas feições tristes e sem brilho naquilo que tocou.
Cansado de se ver no espelho, sem saber que seu canteiro falava mais sobre ele do que imaginava, abandonou-o. Outro passou a tomar conta... fracassou em ser aquilo que todo homem foi chamado para ser: jardineiro, cultivador, cuidador de vidas.
É, dizem por aí que jardinagem e relacionamentos interumanos tem tudo a ver. Deve ser verdade...
Se isso for mesmo certo, arrisco-me a dizer que todos nós – sem distinção – somos jardineiros-aprendizes; mas certamente, vez e outra, acabamos sendo jardim...
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Interpretação I Co 13. 1
Se não me houvesse restrição na fala,
ao ponto de eu poder me comunicar com qualquer pessoa,
de qualquer lugar desta terra – sendo qual fosse seu idioma.
E mesmo que eu compreendesse o canto dos anjos
e a eles fosse permitido dirigir minha voz,
sendo por eles entendido; não havendo amor...
Minha fala seria vazia e todas essas coisas nenhum valor teria – ainda que fosse poesia!
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18.7.08
Nascimento
Se menino ou menina,
não sabia.
Ouvia um choro curto,
uma melodia cativante.
Macho ou fêmea,
não importava.
O momento era pura beleza,
por ele esperava de todo coração.
Era vida que surgia...
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O Jardineiro
Aquele homem que escolher ser jardineiro,
seu jardim não poderá deixar de regar e cuidar;
principalmente as rosas.
Pois, secando as rosas, só os espinhos lhes restará!
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17.7.08
Briga no beco
Encontrei meu marido às três horas da tarde
com uma loura oxidada.
Tomavam guaraná e riam, os desavergonhados.
Ataquei-os por trás com mãos e palavras
que nunca suspeitei conhecer.
Voaram três dentes e gritei, esmurrei-os e gritei,
gritei meu urro, a torrente de impropérios.
Ajuntou gente, escureceu o sol,
a poeira adensou como cortina.
Ele me pegava nos braços, nas pernas, na cintura,
sem me reter, peixe-piranha, bicho pior,
Gritei, gritei, gritei, até a cratera exaurir-se.
Quando não pude mais fiquei rígida,
as mãos na garganta dele, nós dois petrificados,
eu sem tocar o chão. Quando abri os olhos,
as mulheres abriam alas, me tocando, me pedindo
Adélia Prado
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15.7.08
Já que você é tão linda,
te admiro, te aprecio e te contemplo.
Já que você me quer,
eu me dôo.
Jacque, te amo tanto e confesso:
não posso ficar sem ti!
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10.7.08
Pobreza estética
Que crueldade
Dos piores pecados
Sem total piedade
Impõem-nos a tristeza
Em atos autoritários
Pela aniquilação da beleza
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