18.11.09
11.11.09
Silence Screams
Silence Screams
Quando suas almas cedentas gritavam em silêncio, não percebíamos.
Aparentavam-se esfomeados, por isso demos apenas pão, café e algumas frutas.
Precisavam de muito mais. Não havíamos notado.
Eles, famintos; nós, cegos!
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Humberto Ramos
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30.9.09
Aquele medo
Aquele medo
Decidiu -- por razões que não convém comentar -- deixar de amar.
--Tenho medo de me ferir, de sofrer... -- alegava em voz apertada.
Não era medo de sofrer. Era medo de ser feliz.
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Humberto Ramos
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15.9.09
Sem fome
“Não quero faca nem queijo, quero fome”. Te entendo agora, Adélia.
Fome é o mais importante.
Pois tenho papel e caneta, porém falta-me a bendita fome (inspiração!).
Toma-me o incômodo senso do dever, que me diz: “escreve!”
Contudo, o que escrever?...
Escaparam-me os versos, como cavalos selvagens, e não os alcanço. Secaram-me as fontes poéticas... nem mesmo o pranto me restou, a fim de que eu pudesse colher algumas gotas e regar meu jardim de emoções.
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Humberto Ramos
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9.9.09
Não herdastes apenas o coração agitado dos faunos,
Mas também a leveza da alma e a doçura das palavras.
Teu balanço é travesso, pois és um eterno menino.
Teus passos trôpegos, trôpegos não são.
São firmes! Pois me levam pelos jardins da felicidade...
Tua maior riqueza é o teu beijo, sempre doce e quente.
O castelo que me ofereces é o abrigo do teu amor, onde me refugio.
O banquete que me ofereces são teus abraços de carinho,
E as canções noturnas me fazem repousar segura.
Nunca negaria a delicadeza de minhas mãos em teu rosto sereno.
Teu rosto de fauno real me encanta mais do que o de príncipe inventado
Do elixir dos meus lábios, fauno, sempre beberás,
Do meu feitiço, jamais escaparás!
Pois antes de ti, já me rendi ao nosso ritual de amor.
Jacqueline Emerich
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8.9.09
Pelos dois anos em que estamos juntos
Dos faunos mais ousados
Só herdei meu coração agitado.
Que deseja incorrigivelmente dançar contigo, ninfa minha.
Não dei a sorte de ter o balanço travesso
Nem o molejo que encanta.
Meus passos são trôpegos,
Minhas pernas inflexíveis.
Mas esse meu coração está sempre pronto a bailar,
Não desiste nunca!
Insiste. Sofre de paixão.
Quer sempre te conquistar.
Peregrino errante, riqueza não tenho;
Não possuo jóias nem recebi fortunas por herança,
Não te lhe ofereço um castelo por moradia
Nem um banquete por refeição.
Mas se te alegram as canções noturnas,
Os aromas dos bosques ermos,
E a melodia que não cessa em meu peito,
Então vem!
Libera-me do teu mágico poder
E não me negues a delicadeza de suas mãos.
Dá-me dos elixires contidos em seus lábios,
Enfeitiça minh’alma, fada amada.
Faz do fauno um príncipe,
Dos bosques, casas de realeza;
Dos aromas, finos perfumes.
Do tropeço, dança elegante
Para embelezar nosso ritual apaixonado,
O culto do nosso amor!
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27.8.09
Des-gosto
Acostuma-se...
Com a dor,
A pobreza,
A solidão,
A depressão.
Acostuma-se...
Com as brigas,
O rancor,
A mágoa,
O temor.
Acostuma-se...
A viver, a sofrer, a sentir -- e não sentir mais nada.
Acostuma-se... simplesmente, e daí a vida perde o sabor!
Basta apenas acostumar-se...
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24.8.09
Dor,
Latente,
Constante,
Sempre presente;
Que horror,
Não me abandona...
Quero cura,
Quero alívio,
O frescor da saúde!
Quero o colo do meu bem,
O seu chamego sem fim.
A suavidade da sua pele,
De seu corpo de marfim.
Quero esse santo remédio,
Esse pedacinho de céu,
De sabores sem fim.
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20.8.09
Considerações
Disciplina, como adquiri-la? Parece-me impossível tornar-me alguém com um mínimo de organização.
Oração, já quase não sei o que é isso na prática. Qual a importância desta disciplina? Que a tem sabe...
Ansiedade, isso sim eu sei bem o que é: é nunca estar onde se está.
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7.8.09
Amaldiçoados homens
Os que perderam a docilidade da vida
Que não sentem mais o cheiro das rosas
Que não saboreiam os gostosos frutos da terra
Que não veem nos recém-nascidos a esperança renovada
Que se deixam dominar pelo dinheiro
Que se perdem no sexo
Que mutilam suas almas guerreando contra si mesmos
Desfigurando sua aparência e encarnando a pior pobreza da vida:
A insensibilidade
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18.6.09
Apetite Poético
Que apetite,
Que fome é essa que vem do nada?
E essa sede sem noção!
Vontade de ter – Um querer sem saber o quê...
Já sei, poesia!
Doce como só ela pode ser.
Esse sabor...
Esse alento...
Esse desejo...
Suave mantimento...
Remédio sagrado para a tristeza da vida,
Para as saudades não resolvidas,
Para os amores malacabados.
Para as vidas não vividas!
Poesia: Simples, não acha?
Não precisamos de muito para achar conforto!
Um pouco de Drummond,
Da Adélia,
Do Quintana e lá estamos nós felizes outra vez,
Ainda que tristes, mas felizes.
Estamos?...
Perdoe-me por incluir-te sem permissão,
Mas acho que todos somos muito parecidos.
Todos temos fome e sede de poesia!
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7.5.09
fazendo moradia onde não foi convidado
e assim bem rapidinho, tudo é inquietação
Calmaria! Calmaria, na busca de te reencontrar
sinto que te perco ainda mais
sinto que me perco ainda mais
Mas a ti faço um pedido,
perdoe esse coração errante e volte
em troca te ofereço eterno abrigo
Não demores
vem assim do nada, como uma brisa suave
volte pois aqui será sua eterna morada
Érika Ramos, poeta em franca autodescoberta.
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Humberto Ramos
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13.4.09
O nó
O nó no gargomi,
a enxurrada de lágrimas,
o peito apertado.
É saudade.
É vontade.
Nostalgia...
É tristeza “braba”,
que chega de mansinho e quando a gente vê... já era!
A alma já não tem força pra resistir.
Deseja... e não pode ter...
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Humberto Ramos
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23.3.09
Eu vi a menina triste. Sua alma escondida, aparenta ferida que não se tratou nesta vida. Seu semblante caído, coração afligido de quem parou de sonhar. Sonha, sim, sonha pesadelos desconexos. Clama, quer ajuda, sem saber que clama ou que anseia por redenção.
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12.2.09
Explicando a saudade
Poema de um querido amigo
A gente conhece a pessoa.
Sem pedir,
sem querer,
sem ao menos consultar...
Simplesmente conhece.
Seus sorrisos, suas lutas, sua história.
Daí, aquele tempo vence.
O tempo de boas risadas, filmes, troca de experiências.
E sem maiores diferenças a pessoa vai para o próximo nível do jogo da vida.
Ficam os flashes das fases dos jogos que foram jogados juntos.
Isso é a saudade!
Lembrança de alguém que lhe ajudou, trouxe alegria, dividiu experiências e se foi por um atalho que você não entrou...
Tenho saudade...
Humberto Reis Coutinho Júnior (Xará)
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11.2.09
Se vais sofrer, sofre com gosto. Sofre fortemente e sofre com beleza artística das tragédias gregas. Pois quem sofre sem beleza, dá pena! Dá dó... Que pobreza esta: ser motivo de dó!
Tu, se tiveres de sofrer...sofre então, mas com musicalidade cortante. Saia de ti uma sonata melancólica que, de tão bela, não te permita sofrer só!
Chore, com poesia. Grite, com melodia. Incline a fronte, com reverência litúrgica. Não, nunca dê
motivos para que tenham pena de ti.
Tu, que sofres, aprendas a sofrer e sofre como sofrem os poetas!
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9.2.09
Não, não temo perder-te! Temo ficar sem ti...
Temo distância – o monstro-mor que nos afronta constantemente –, temo o temor da solidão incomunicável, da impossibilidade do toque, do sopro gélido da tristeza sem o consolo da convicção de que tudo está no caminho (certo) e a caminho.
Deus não nos desampare e abra portas, aplaine os outeiros e nos dê a coragem e ousadia necessárias para continuarmos a lutar!
Diante das dúvidas, tristezas, dores e “des-espero”... tento esperar, tento não parar, esforço-me para crer!
Diante de tudo isso, Amo!
Amo você.
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5.2.09
Oração do Poeta
Livra-me, ó Deus, da infertilidade poética.
Arranca-me da miséria das palavras secas;
Não permita que apenas martelos e pregos saiam de meus lábios.
Faz brotar em minha boca fontes ricas de águas vivas.
Não, não volte meu coração às palavras torpes,
Nem me perca no desvario doentio das expressões funestas.
Me limpa dos chulos vocabulários.
Dá-me a fertilidade dos sagrados versos,
Para que seja doce meu falar e temperada minha ira.
Ouve-me, e atende minha súplica!
Sê comigo, ó Santo, dá leveza ao meu falar.
Amém.
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Como choro em silêncio de criança castigada.
E os versos já não têm a cor da alegria
E o ritmo se torna lúgubre;
O poeta se expressa, faz-se pintura mal-acabada todos os dias.
Mistura-se seu pranto ao lamento rouco de tantos e tantos aflitos.
Tudo lhe fere!
Frágil,
Empático,
Recebeu a sina dos profetas.
O pedinte faminto,
A criança pobre,
As mulheres sujas, raladas da vida.
Tudo é lança em seu peito!
Belo é o mundo,
frondosas as árvores,
viçoso o relvado que entapeta o chão...
Mas o poeta é triste, e não há o que lhe faça sorrir.
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22.11.08
Saneamento
Se essa rua,
Se essa rua fosse minha.
Eu mandava,
Eu mandava asfaltar.
Com piche, com piche de petróleo...
Para os meus, para os meus pobres passarem!
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7.11.08
Ao teu encontro
Bem cedinho...
Pensei em ti.
Imaginei sua luz,
Te liguei;
Nos falamos,
Te exaltei em versos,
Expus minha total carência de ti.
Não adiantou!
Foi pouco.
A distância,
Essa constante parceira,
Impediu-me o toque,
Os beijos,
A veneração contemplativa,
A admiração festiva,
O vislumbre extasiaste de tuas formas tão formosas.
Princesa!!!
Meu raio de sol,
Espera-me e te encherei de carinhos mil.
Prepara-te e laurear-te-ei diante todas as mulheres.
Ama-me com teu amor e serei feliz!
Dá-me das delícias que há em ti e regozijarei em contentamento sem fim!
Espera-me, pois irei.
Enfeita-te, pois a ti celebrarei.
Alegra-te, música minha, pois hoje dançarei ao seu som!
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Humberto Ramos
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