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22.3.13

Defesa

O poeta jamais é mentiroso. É, no máximo, hiperbólico.

21.1.12

Prece























Deus,

Com a dificuldade que me é peculiar quando me ponho em oração, venho falar-lhe embora o Senhor de tudo já saiba previamente. Mesmo assim, sei que preciso; por isso faço, por isso falo, oro!

Quero conversar sobre espiritualidade, aliás, sobre isso que agora experimento e que, de certo modo, faz parte dela. Por mais que saiba o quanto me é precioso e saudável – em todos os aspectos – estar em estado de silêncio e meditação diante de Ti, a sós contigo, poucas vezes o faço. Não sei o que temo, não sei o que me impede, não entendo porque me distraio com tantas futilidades até que, enfim, depois de tanto pensar em te buscar, acabo diante de Ti.

Tenho tantas teorias sobre espiritualidade, já li tantos livros a respeito disso, ouvi tantas mensagens sobre, que não posso alegar falta de informação. No entanto, esse conhecimento nem sempre resulta em devoção. Pelo contrário, sinto que na maioria das vezes troco a refeição pelo cardápio.

Não quero que a espiritualidade seja apenas mais um tema de reflexão na roda de amigos, ou assunto de um texto bem elaborado e com argumentos intelectuais. Preciso que seja verdade em minha vida, preciso experimentá-la. Que seja como água pura e cristalina, fresca, bebida na fonte, como nas bicas das minas de água que escorrem entre as montanhas mineiras. Que seja uma experiência deliciosa de refúgio para a qual eu me lance como quem se rende. Uma atração que me domine e me leve a deixar a rotina urgente da vida (que nem sempre é tão urgente assim) para me dedicar à vida interior e encontrar-Te em mim, e a mim mesmo Contigo em meu coração! 

23.10.11

Das dores incompreendidas



Das dores do meu peito sei eu e Deus. Fora nós dois quase ninguém mais me compreende. Contudo, sinto-me em boa companhia. Afinal, mais incompreendido que Deus está para nascer. Quem, quantos, onde estão os que compreendem sua obra e planos? Alguns raros, muitos nem se encontram mais nessa terra... A verdade é que são poucos. Portanto, em Deus me acalento, desejando por vezes ir-lhe ao encontro. Porém, com sua firme mão, rejeita o meu “convidar-me” aos seus aposentos. Parece que me quer mais aqui, nessa terra seca, como um bambu que de tanto vergar-se muitos diriam “vai quebrar!”. Enfim, sigo vergando, plantado, firme, e esperando o consolo prometido. E vai-se a vida, e vão se as horas, os choros, as lágrimas e as saudades tristes... Estou passando com a vida...
                        

15.7.10

Passar a régua e fechar a conta

E o medo que dá na gente de olhar “praqui” dentro da gente mesmo? Meu Deus, tem vezes que a gente se vê tão encardido de pecados e falhas que (parece) melhor nem abrir a porta do coração pra escarafunchar o que há nesse quarto bagunçado que a gente chama de alma.

A despeito disso, tem que ser... não dá pra viver a vida toda escondendo-nos de nós mesmos. Seja com quem for, sempre temos algum acerto de contas a fazer. Infelizmente ou felizmente (ainda não decidi), até com nós mesmos temos negócios pendentes.

A minha terapeuta já me indicou, é melhor fazer isso rapidamente. Quanto antes melhor! Ela não falou com essas palavras, mas eu entendi bem. Quanto menos tempo levarmos para passar a régua nas contas que existem em nosso íntimo, mais fácil será compreender a razão de sua existência e o porquê da necessidade de fechá-las e começar tudo de novo numa outra caderneta.

É fácil falar, difícil é fazer... Não é?

No mais é isso, bora lá então!

12.1.10

Vou bem, e continuo indo



A sensação de ausência expressa, ou mesmo o sentimento de não-pertencimento a qualquer lugar que seja, aliado a paradoxal alegria de estar em qualquer lugar, põe alguns a se preocuparem comigo (talvez porque não notem esta última).

Amigos, não sou triste. Posso garantir que tristeza e alegria habitam minha alma com a mesma freqüência que o ar passa por minhas narinas. Considero perfeitamente normal. Ser humano é mesmo ser paradoxal, é não se encaixar nas amarras do objetivismo fatalista que dita: “Está triste, logo está mal.”

Estar triste pode ser estar bem. Ou mesmo estar bem de uma forma diferente, talvez piedosa (não que eu mesmo me julgue piedoso). Caso prático: ficar triste por um pobre mendigo e dispensar ajuda para tirá-lo de sua condição precária pode significar saúde espiritual (coisa boa). Por outro lado, a mesma coisa pode denotar soberba espiritual, aquele sentimento de quem ajuda por se ver maior, por se ver em outro patamar com condições de abaixar as mãos e levantar o outro.

Mas é de alegria e tristeza que eu falava. Pois bem, estou alegre hoje, no presente momento de minha vida; insatisfeito, contudo... Alegre por tudo que me vem às mãos, e por tudo que persigo e conquisto. Insatisfeito, sim, pela sensação constante de desconforto pessoal diante das mazelas que me acompanham. Maltrapilho, como alguns gostam de dizer... É isso que sou.

Daí a expectativa sempre esperançosa da redenção gloriosa de minhas enfermidades e deficiências.

Reitero, vou bem. E vou indo, em frente, para o alvo, sem ter, no entanto, tantos alvos assim. Mas convicto de que se há um alvo honroso a ser almejado, esse é o de apenas ser. Por tanto, estou me tornando a fim de poder ser.

15.9.09

Sem fome


“Não quero faca nem queijo, quero fome”. Te entendo agora, Adélia.
Fome é o mais importante.

Pois tenho papel e caneta, porém falta-me a bendita fome (inspiração!).

Toma-me o incômodo senso do dever, que me diz: “escreve!”

Contudo, o que escrever?...

Escaparam-me os versos, como cavalos selvagens, e não os alcanço. Secaram-me as fontes poéticas... nem mesmo o pranto me restou, a fim de que eu pudesse colher algumas gotas e regar meu jardim de emoções.

20.8.09

Considerações

Disciplina, como adquiri-la? Parece-me impossível tornar-me alguém com um mínimo de organização.

Oração, já quase não sei o que é isso na prática. Qual a importância desta disciplina? Que a tem sabe...

Ansiedade, isso sim eu sei bem o que é: é nunca estar onde se está.

9.2.09


Declaração de Amor


Somente se não tivesse noção do seu valor eu não temeria ficar sem ti; ainda que estejamos ligados tão profundamente, temo e tremo... pois não há riqueza que não traga ao homem rico o ônus do zelo diligente.

Não, não temo perder-te! Temo ficar sem ti...

Temo distância – o monstro-mor que nos afronta constantemente –, temo o temor da solidão incomunicável, da impossibilidade do toque, do sopro gélido da tristeza sem o consolo da convicção de que tudo está no caminho (certo) e a caminho.

Deus não nos desampare e abra portas, aplaine os outeiros e nos dê a coragem e ousadia necessárias para continuarmos a lutar!

Diante das dúvidas, tristezas, dores e “des-espero”... tento esperar, tento não parar, esforço-me para crer!

Diante de tudo isso, Amo!

Amo você.

24.10.08

Jeito mineiro

Quando visito a casa de alguém, o que lá não me for oferecido de maneira nenhuma pego, aceito ou peço; com raras exceções, principalmente se esta exceção for um livro (diante de algumas obras literárias vale a pena nos transformar em pedintes).

E quem oferece algo e realmente quer dar não diz: “Quer?”

Se há uma real vontade de dar, diz coisas como:

“Come!”
“Pega!”
“Toma!”
“É seu!”

Como afirmavam meus pais, quem diz “Quer?” na verdade dar não quer.

9.9.08

Vocês

Aos meus grandes amigos, Flávio e Cláudia

Que musicalidade maravilhosa.
Você, letra...
Ela, melodia dançante...
Música boa de se ouvir,
Ela, pintura bela,
Você, moldura de fino trato.
Essa musicalidade,
Essa beleza,
Essa fluidez de graça – tudo isso é dom divino!
Por isso não há que se falar de um sem o outro.
Não se fala de jardins sem mencionar flores,
Nem de verão sem sol,
Tampouco de inverno sem frio ou amor sem sacrifício.
Assim são vocês, complementares...
Confluentes, convergentes entre si...
Uma completude invejável
Encontrada somente naqueles em quem vemos o brilho de Deus.
Saibam, não seriam quem são sem a benção do encontro que os uniu.
E é só por isso que quebro um tabu,
O de que poemas não são encomendáveis,
E escrevo estes versos para com eles presenteá-los,
Já que me foram desavergonhadamente pedidos em tom de
[brincadeira
Quando ameacei proferi-los em outra ocasião.
De tudo o que gostaria de dizer-lhes,
E as palavras me faltam para me expressar com clareza,
A fim de que tenham noção de minha admiração,
Confesso-lhes que espero ser dadivado por Deus com as mesmas
[bênçãos
Que os transformaram em um casal tão sublime.
Inveja ou não, desejo essa sublimidade para mim e minha amada.
Inveja ou não, também quero crescer e me tornar um com aquela que
[amo.
Pois, acredito, não há benção maior do que se tornar um com
[alguém,
Tornando-nos, assim, a imagem e semelhança de Deus,
Que nos criou, homem e mulher, a fim de que fóssemos um,
Como ele mesmo o é, ainda que sendo trino!
Que essa música poética não cesse,
Que o olhar vigoroso e alegre não se esvaia,
Que o fervor da fé se mantenha vivo em vocês,
E que continuem a frutificar sempre...
Saúde, paz e bem, meus eternos amigos!

25.7.08

A um amigo, um jovem poeta

Amigo poeta, não entendo por que te queixas acerca de tua aceitação. Já devíeis saber que teu caminho implica solidão. Se tens um peito escancarado e uma alma desprotegida, assume teu padecer e entende que não tens escolha; predestinado estás a ter os sentimentos do mundo e um coração desnudo. És poeta!

Não, de ninguém deves esperar compreensão. Certamente haverá aqueles que, como tu, possuem olhos sensíveis para ver a vida não apenas como campo de batalha, arena de competições, jogos de morte... Estes o Eterno porá em teu caminho.

Descansa, chora o teu choro em paz. Permita que espontaneamente outros se ajuntem a ti. Canta o teu canto silencioso, quem tem os ouvidos abertos para a melodia da vida, aqueles que possuiem absoluta percepção das coisas sublimes hão de escutar teu lamento e unir-se-ão a ti.

Entende: possuís o lamento dos profetas, a voz que alardeia precavendo contra a devastação do ser!

Contudo, saiba cessar o teu canto quando, tomado de fadiga, já não tiveres mais força pra alardear. Descansa, reforça-te, anima-te outra vez, para que possas mais tarde continuar.

Lembra-te do Eterno. Recorda-te que, ainda que tua própria sombra te abandone e o rejeite, tens nele amigo constante. Não te deixarás! À sobra dele poderás sossegar!

De mais a mais, viva, chore, ria; sinta alucinadamente os sentimentos que te vêm ao peito – ame com paixão, se apaixone com amor, odeie o repugnante e o sórdido. Despreze as superficialidades da vida e – muito importante – corra pelos caminhos menos percorridos, pois estes reservam as melhores fontes para se refrescar a alma. Sejas tu e não outro, alegra-te em quem tu és sem acomodar-te deixando de buscar ser mais do que isso; satisfaça o teu coração naqueles que lhe foram presenteados como irmãos-amantes. E por fim, permita-me repetir, lembra-te do Eterno!

22.7.08

Matéria-prima

A ausência é mataria-prima dos escritores e poetas em geral. Escrevemos porque algo nos falta, está ausente! Procuramos algumas palavras como quem busca num livro de feitiços palavras mágicas que possam trazer-nos o objeto de desejo, o algo ou alguém que nos falta.

Se falta-nos a paz, censuramos a guerra; se estamos pobres, vociferamos contra a desigualdade social; estando exilados numa terra distante, versamos saudosamente sobre as maravilhas de nosso chão, nossa terra abandonada.

O que me falta agora é minha querida, que está distante! E meus versos são ecos de um canto solitário. Lamento! Indignação diante do tormento do desejo: a espera!

Quero vê-la, tê-la em meus braços e poder sentir e olhar cuidadosamente cada detalhe seu que mais me agrada. Havendo sua ausência, tento elaborar retratos, pinto quadros com imagens feitas de palavras, imagens que buscam refletir sua indelével beleza.

Tudo por causa da ausência, matéria-prima...

20.2.08

Aquele velhinho...












Aquele velhinho não me deixa esquecer que amanha serei eu. Sim, serei eu mais um desses velhinhos desinteressantes para a maioria das pessoas. Sua fragilidade, contrastando com minha robustez, dá-me um gelo na barriga, sinal de medo. Medo do amanhã. E os meus olhos... tornar-se-ão esbugalhados e de brilho sumido como os dele? O fervor, que já não é o mesmo de outrora, ainda existirá em minhas veias, em meu coração?

Pobre velhinho, pobre de mim – amanhã! Ah, às vezes me sinto um velho, um idoso, um “sem-vigor”; e sem força pra continuar. Às vezes meu coração se amolece e minh’alma chora, chora diante da efemeridade da vida.

Aquele velhinho, ele estava sorridente, apesar de sua perna manca – certamente resultado de uma paralisia infantil não tratada a tempo –, apesar de suas parcas condições financeiras, apesar de o tempo do fim se anunciar mais forte a cada aurora. Ah, um sorriso tão esperto e vivo, como pode? Um sorriso que me trás melancolia e estarrecimento, uma cena que me possui e me paralisa, me paralisa aqui, bem no meio da rua...

Continuo andando, sigo em frente, chego em casa, prostro-me diante da máquina que gera palavras perenizadas, e ainda estou lá, paralisado e contemplativo, vendo o riso infantil de um ancião que não se deixa levar pela ciência de que os anos ou dias que lhe restam já não são volumosos. Em sua vida, vejo minha vida, vejo a vida de todos os homens debaixo do sol...

Inveja

Inveja, esse, sim, é um sentimento mesquinho. É aquilo que às vezes percorre nosso coração quando vemos alguém se dando bem na vida. “Poderia ser eu...” – se traduzido em palavras, estas seriam as que melhor representariam tal sentir. É o que a gente acaba dizendo lá no fundo da alma, sem quase perceber que o que queremos realmente não é o sucesso “como” o outro obteve; mas , ao contrário, desejamos na verdade ter o próprio sucesso do outro, contudo sem percorrer os mesmo caminhos que este percorreu.

Estar em uma determinada posição. Ter exatamente o que alguém conquistou, só que isso, claro, sem se submeter a todos os processos e etapas aos quais este teve de se submeter para chegar onde chegou.

A inveja... ela é a preguiça de sermos nós mesmos, a preguiça de lutar e conquistar nossas próprias conquistas. E o contrário da inveja é a alegria fundada no ser, nosso próprio ser. O gozo de ver a si mesmo como um alguém digno, potente e disposto a caminhar seus próprios caminhos, ainda que estes sejam mais difíceis e dolorosos que os caminhos de outras pessoas...
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