20.2.08

Aquele velhinho...












Aquele velhinho não me deixa esquecer que amanha serei eu. Sim, serei eu mais um desses velhinhos desinteressantes para a maioria das pessoas. Sua fragilidade, contrastando com minha robustez, dá-me um gelo na barriga, sinal de medo. Medo do amanhã. E os meus olhos... tornar-se-ão esbugalhados e de brilho sumido como os dele? O fervor, que já não é o mesmo de outrora, ainda existirá em minhas veias, em meu coração?

Pobre velhinho, pobre de mim – amanhã! Ah, às vezes me sinto um velho, um idoso, um “sem-vigor”; e sem força pra continuar. Às vezes meu coração se amolece e minh’alma chora, chora diante da efemeridade da vida.

Aquele velhinho, ele estava sorridente, apesar de sua perna manca – certamente resultado de uma paralisia infantil não tratada a tempo –, apesar de suas parcas condições financeiras, apesar de o tempo do fim se anunciar mais forte a cada aurora. Ah, um sorriso tão esperto e vivo, como pode? Um sorriso que me trás melancolia e estarrecimento, uma cena que me possui e me paralisa, me paralisa aqui, bem no meio da rua...

Continuo andando, sigo em frente, chego em casa, prostro-me diante da máquina que gera palavras perenizadas, e ainda estou lá, paralisado e contemplativo, vendo o riso infantil de um ancião que não se deixa levar pela ciência de que os anos ou dias que lhe restam já não são volumosos. Em sua vida, vejo minha vida, vejo a vida de todos os homens debaixo do sol...

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