Amigo poeta, não entendo por que te queixas acerca de tua aceitação. Já devíeis saber que teu caminho implica solidão. Se tens um peito escancarado e uma alma desprotegida, assume teu padecer e entende que não tens escolha; predestinado estás a ter os sentimentos do mundo e um coração desnudo. És poeta!Não, de ninguém deves esperar compreensão. Certamente haverá aqueles que, como tu, possuem olhos sensíveis para ver a vida não apenas como campo de batalha, arena de competições, jogos de morte... Estes o Eterno porá em teu caminho.
Descansa, chora o teu choro em paz. Permita que espontaneamente outros se ajuntem a ti. Canta o teu canto silencioso, quem tem os ouvidos abertos para a melodia da vida, aqueles que possuiem absoluta percepção das coisas sublimes hão de escutar teu lamento e unir-se-ão a ti.
Entende: possuís o lamento dos profetas, a voz que alardeia precavendo contra a devastação do ser!
Contudo, saiba cessar o teu canto quando, tomado de fadiga, já não tiveres mais força pra alardear. Descansa, reforça-te, anima-te outra vez, para que possas mais tarde continuar.
Lembra-te do Eterno. Recorda-te que, ainda que tua própria sombra te abandone e o rejeite, tens nele amigo constante. Não te deixarás! À sobra dele poderás sossegar!
De mais a mais, viva, chore, ria; sinta alucinadamente os sentimentos que te vêm ao peito – ame com paixão, se apaixone com amor, odeie o repugnante e o sórdido. Despreze as superficialidades da vida e – muito importante – corra pelos caminhos menos percorridos, pois estes reservam as melhores fontes para se refrescar a alma. Sejas tu e não outro, alegra-te em quem tu és sem acomodar-te deixando de buscar ser mais do que isso; satisfaça o teu coração naqueles que lhe foram presenteados como irmãos-amantes. E por fim, permita-me repetir, lembra-te do Eterno!
Um comentário:
Muito, muito bom.
De um poeta para outro poeta. No mais, muito obrigado =p
Abração
paz
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