Ah, meu amor, como me tornei só de uma hora para outra, bastou tua ausência para que se fizesse presente a saudade. E como ela é cruel. Olho para o quarto, e lá não estão suas malas; na sala, não a vejo mais assistindo TV; na cozinha, não encontro mais o seu rosto satisfeito, deliciando-se ao provar algo novo.Para onde volto meus olhos, o que vejo é um grande vácuo do espaço que você preencheu.
O café da manhã, depois de tantos cafés juntos, que coisa mais chata, converteu-se em momento enfadonho e sem sabor. Teu sabor, em meus lábios, ainda os sinto, mas não como antes, tão reais e presentes eram os teus beijos.
As coisas que você mais gosta, os lugares em que estivemos juntos, os momentos que partilhamos, tudo me faz recordar nosso tempo, tudo me causa aquela dorzinha sutil que parece não ir embora. Sempre presente, faz questão de me lembrar sua falta.
Teu riso, registrado em fotografia, traz-me alegria e pesar. Paradoxo. “Contentamento descontente”, diria um homem.
Ao reviver os momentos registrados ali, depois me vem a difícil tarefa de assumir serem eles passado recente, dura é a tarefa de viver outra vez a ruptura do “deixar-partir”. Tarefa a qual estou incumbindo a cada fotografia, a cada recordação, a cada flash que passa por minha mente.
Alivio-me na certeza de que quero e sou querido, de que outros momentos felizes virão assim como é certo que o Sol há de raiar amanhã de manhã. Tranqüilizo-me na sabedoria que me ensina os benefícios da espera esperançosa, alegro-me com a consciência de que o que sinto é compartilhado por ti, ainda que tão distante.
Te espero, amor, te espero outra vez...
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