Entre um poema e uma reflexão, penso: Que tolice, para que escreves pensamentos ou sentimentos teus? Por que permitir que venham a ler o que escreves?Outro dia, quando disse a um amigo, tentando ser poeta, que 23 anos é a idade que já não tenho mais -- uma vez que tais anos já se foram e os que me restam não os inclui --, tal amigo não viajou comigo na poesia das minhas palavras nem na reflexão que implicavam.
O sujeito mostrou-se assustado e deve até ter me achado louco ou, quem sabe, um pessimista.
Então, tendo por base tais fatos, que adianta escrever se as pessoas não mais comem poesia, se as palavras já não são como perfumes às suas narinas?
Justamente, não adianta! E, na verdade, não tem que adiantar coisa alguma. Alguns de nós, os que escrevemos, o fazemos como aprendizes que desejam mais que tudo aprender, e, em especial, aprender sobre nós mesmos. Buscamos autoconhecimento pelo processo literário.
Somos como aquela criancinha que pede ao pai que a ensine a varrer o quintal de casa. Não há o menor sentido nisso, mas ela deseja ardentemente. Simplesmente pelo fato de ser algo novo, uma aventura, um desafio. E mais: pela possibilidade de fazer algo e dizer “fui eu que fiz”.
Alguns escrevem diários -- as atas de seus dias--, eu tenho escrito confissões. Só que as publico. Sim, tenho tal coragem. Tornei-me um desavergonhado total, não tenho brio, como diria minha mãe. Desnudo meu coração em qualquer lugar. Isso porque, acredito, há uma necessidade latente em meu coração de comungar idéias, sabores, desejos, sonhos...vida e morte!
É, talvez seja uma coisa tola. Não me rende uma grana, não tenho mais amigos por isso, não sou mais honrado ou mais respeitado por isso. Externamente tudo vai como sempre foi...
Mas, por dentro, realizo-me. Encontro-me comigo mesmo e mantenho diálogos profundos com meu ser a cada escrito. E até esqueço-me que é tão difícil encontrar quem goste de compartilhar os dias desta vida, e vivo mais satisfeito, só porque ouso rabiscar algumas míseras linhas no papel...
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