24.10.07

Nostalgia

O Sonho, triunfante, sorridente como todos os sonhos,
Caminhava alegremente entre bosques e vales,
Entre a imaginação e a realidade do universo.
O sonho, que antes passeava só, encontrou a Melancolia.
Ela, que tendia a andar de cabeça inclinada, serena e calada,
Resolveu acompanhá-lo.
O sonho, sempre altivo e confiante, tentava erguer o olhar da Melancolia,
Que rejeitava, esquivava seu rosto e não entendia como poderia sonhar além.
Melancolia só havia conhecido o Pesadelo, nunca o Sonho, e agora o encontrara.
Desconfiada, indagava consigo mesma: Como poderei?... Como alcançarei?... Posso?... Será?...
Era pessimista, coitada.
O Sonho não desistia, queria sonhar com ela, queria contaminá-la
Com paz e contentamento, esperança e alegria!
Ela não conseguiu se entregar totalmente ao Sonho,
Nem o Sonho conseguiu se afastar dela. Não, não pode.
Um dia Melancolia ergueu seu olhar, ainda que quase nada.
O sonho, ele também não era mais o mesmo, curvou um pouco, ainda que bem pouco, o seu olhar.
E foram se misturando, se aproximando, se acasalando, se entregando ao ponto em que
Já não eram mais Sonho e Melancolia, eram agora Nostalgia.
Eram um, uma só substancia, mas nenhum se entregou totalmente ao ponto de se tornarem integralmente como o outro.
Eram um, mas eram outra coisa que não eles mesmos separados.
E caminharam, e conviveram, e sonharam melancolicamente pelas estradas dos mundos.
Nostalgia... Sonho e Melancolia.

2 comentários:

Anônimo disse...

o melhor lugar pro Sonho não é caminhando entre bosques e florestas. o melhor lugar pra ele é dentro de nós.
"que os sonhos vivam em nós, e nós vivamos em sonhos reais"

assim fica mais difícil da Melancolia conhecê-lo.

sua jacque.

will jesse dias disse...

Bravo...

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