20.7.07

Minha confeitaria













Quero ser confeiteiro
E aprender a fazer bolos, tortas e outros quitutes.
Quero novas receitas, novos sabores
E também novos aromas de novas iguarias.
Também quero tudo isso em palavras...

Minha cozinha: minha cabeça...
Minhas ferramentas: dedos e canetas...
Preciso de palavras perfumadas, de nomes apetitosos
E livros confeitados.

Quero aprender a escrever,
conhecer o português e respeitá-lo.
Não, não sou obrigado a isso. Ele merece!

Eu apenas quero...
Apenas desejo...
E, por quê?

Justamente porque não há obrigatoriedade nisso.
Justamente pela graça convidativa que há no ato de aprender.

Quando criança, não podia entrar em padarias.
“Quero uma só pra mim”, dizia eu, cheio de desejos.
Aquele cheiro bom me matava. Que delícia!
Ler também é assim, e escrever não é diferente.
Tem que acontecer...simplesmente.
Como beijo que surge do nada,
E lá estão dois amantes se amando.

Bolo de chocolate...
Todinho ele de chocolate, até o recheio.
Bolo de prestígio...
Hum... não há coisa melhor.
Poesia rara...
Canção de ninar...
Beijo de quem se gosta...

Quero tudo isso passando por minha confeitaria.
Todas essas guloseimas deliciosamente preparadas...

Lá mando eu, oras! E tem sempre o que eu quero e faço.
E tudo pode acontecer quando eu bem quiser,
E só passo para o papel se tiver vontade;
E você só vai ler se eu deixar...

Às vezes faço e não aprovo,
Jogo fora ou deixo de lado.
Às vezes saboreio, satisfaço-me e lanço à diante.
Outras vezes, faço, não gosto, e mesmo assim ponho à mesa.
O que importa... é que fui eu que fiz.
Aqui, no silêncio da minha confeitaria.

Um comentário:

Anônimo disse...

Depois da carta à fada terrena, 'Minha confeitaria' é o meu poema favorito! quero bolo de chocolate, prestígio e a receita da felicidade...
Jacque.

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