18.2.08

Olhos de poeta

“Deus de vez em quando me castiga. Me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra. Mas o certo não é ver a pedra quando pedra é o que há? Se olho para uma pedra e vejo outra coisa é porque meus olhos estão perturbados. Pois é isso mesmo que a poesia faz: a gente olha para a pedra e vê uma outra coisa que não está lá. Isso que a gente vê na pedra é não está na pedra, está dentro da gente, na alma. Para os poetas o mundo é um espelho de mil faces em que a alma se contempla. Daí a felicidade narcísica da poesia... A poesia é uma alteração da percepção visual. Chego a temer que, algum dia, ela venha a ser classificada como droga alucinógena...”

Adélia Prado

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