21.11.07

Os partos e as poesias













Estão redondamente enganados aqueles que pensam que um poeta acorda de manhã e diz que vai escrever uma poesia e, dez minutos depois, lá está ela pronta.

Porventura uma mulher acorda logo cedo e diz “vou dar à luz” apenas porque decidiu que aquele seria o momento? Isso não acontece, é de repente, a bolsa estoura de surpresa e põe todos em alerta e preocupação, os pais não querem passar o risco de perder a criança.

Pois bem, assim é com os poetas e suas poesias. Elas acontecem como os partos, não os esperamos para determinada hora exata, podemos até fazer uma forcinha para que saiam em um determinado instante, mas assim seriam cesarianas.

É claro que preferimos sempre os partos normais, são bem mais emocionantes. Quando sentimos a bolsa estourar em nosso coração, essa é a hora. E não queremos nunca perder a criança – digo, a poesia –, por isso corremos para o teclado do computador, ou para o papel e lápis; pode ser papel de saco de pão, não importa, o que importa é não perder o nascimento da poesia.

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