2.9.06

Relato da alma

Já faz um bom tempo que tenho me sentido só.
Na realidade, creio que, em vários sentidos, estou mesmo só.

No entanto, estes momentos de solitude me levaram a refletir sobre coisas essenciais desta vida. Em reflexão, comecei a perceber e entender o quanto mais importante é me interessar por alguém do que ter alguém que se interesse por mim.

É muito mais valioso amar alguém do que ter alguém que te ame. Sim, é verdade, isso pode me fazer sofrer, isso sempre nos faz sofrer! Mas, ainda assim, é algo precioso e gratificante!

Recordo-me de tempos nos quais tinha alguém em mente, ou melhor, no coração. Ahhh...Como era bom! Este estado fenomenal me proporcionava sentimentos tão singelos, altruístas, otimistas e força para seguir em frente. O mundo se tornava mais colorido e as coisas passavam a ter mais sentido!

Já faz um bom tempo que não consigo poetizar. É como se me faltasse inspiração por faltar uma musa inspiradora... Vejo tantas belezas, tantas jovens formosas e sugestivas, mas isto não é o bastante. Tenho que sentir o meu coração palpitar. Necessito ser possuído pela paixão ardente que me avassale como um guerreiro medieval que perdera a batalha e se tornara apenas servo.

Poderia me deliciar com o sexo, mas minha alma, sedenta de amor, não se contentaria com... apenas isto! Sou tomado por desejos carnais impulsivos, mas que, no entanto, quando satisfeitos, não satisfazem meu apetite por amor, não alegram minha alma triste que se mantém a esperar pelos tesouros do amor!

Reconheço meu estado de alma; necessitado de amor, carente da Graça de Deus, sentindo falta de um sentido para viver! Esta é a minha dor neste momento. E porque relato isto aqui? Não sei, creio apenas que algumas pessoas se dão a conhecer aos outros mesmo que estes outros não venham a se importar. Talvez eu o faça na esperança de que alguém, também neste estado, possa reconhecer-se a si mesmo nestas palavras e tomar coragem de refletir sobre sua própria situação. Ou, por último, talvez eu sinta um alívio ao me expressar, um alívio como o de ir ao confessionário falar com o padre, ou o de ir ao gabinete pastoral para pedir ajuda para os meus pecados!

Humberto Ramos

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