
Ainda é madrugada, mas ele está lá.
Com seu carrinho, papelões e latinhas a catar!
Certamente, a noite virou,
Labutando em prol de seu sustento e de sua família.
Vivendo a realidade cruel de um mundo injusto!
Ao invés de resmungar, assovia!
E eu, no ponto de ônibus, inerte a observar...
Sentindo-me incapaz, busco esta cena da minha mente apagar.
Cinicamente, tento fingir que a pobreza e a dor não existem!
Mas é impossível esquecer, é impossível não sentir!
A dor da responsabilidade persegue-me e apunhala-me,
Convidando-me a mover-me!
O que fazer sendo eu um maltrapilho bem vestido?
Como ajudar sendo eu um bom teórico com belos discursos e poucas ações?
Confesso, não sei o que fazer, ou talvez, não sei como fazer!
Uma coisa eu sei, tenho vergonha de mim mesmo!
Tenho vergonha da minha inércia!
Tenho vergonha...
Humberto Ramos
Nenhum comentário:
Postar um comentário