Há muito tempo que venho me incomodando com uma questão muito séria. É um problema que aflige uma das pessoas mais queridas e conhecidas de todos nós: o Papai Noel. Mas não é de qualquer Papai Noel que eu falo. É do Papai Noel brasileiro, pois na realidade existem vários, pelo menos um para cada país. Às vezes até mais de um, em caso de países muito grandes em extensão territorial. Mas esta é uma outra história que depois a gente conta com mais tranqüilidade.Voltado à questão do Papai Noel brazuca, este pobre velhinho trabalhador que rala o ano todo confeccionando presentes para as criancinhas pobres de todo o Brasil, e que no final do ano quase morre de calor dentro daquelas pesadas e grossas roupas de inverno finlandês, que só se dá para usar mesmo é no pólo norte.
Isso mesmo. Você se espanta com o assunto? Ok. Mas alguém tinha que entrar no pleito pelo bom velhinho. A quem diga – pessoas próximas a ele – que ele detesta aquelas vestes. Ainda mais de cor vermelha. E mais, disseram-me que a fala do barbudo todo final de ano é:
- Ahh! Meu Deus!!! Tenha piedade de mim... Eu, um brasileiro, praieiro e sambista de fim de semana, ter que viver usando esta roupa americanizada, calorenta, e, ainda por cima, ter que dar sempre aquela risada em inglês (Hoh, Hoh, Hoh...). O que eu queria mesmo era um par de havaianas, uma bermudinha da Zoomp, uma camisa cavada da Rip Curl, água de coco e umas baianas lindas ao invés de anões...
Todo fim de ano o pobre entra em parafuso às vésperas do Natal. Pois, você pode até não saber, mas desde novembro ele tem que se uniformizar.
O Noel brasileiro já chegou ao ponto de reclamar para o sindicato dos Papais Noeis do planeta. Além de ter levado uma bronca dos gringos (porque lá só tem Tio Sam), levou um sermão de meia hora.
-Você não faz idéia de quantas pessoas já vestiram estas preciosas roupas? Não tem idéia de quantos gostariam de estar em seu lugar? E mais, num país como o seu, onde tudo o que vem de fora é melhor, você pensa mesmo que eles iriam te aceitar com um uniforme diferente, ou seja, contextualizado? Pobre coitado, está louco!
E assim continua a rotina do pobre homem Noel. Que, aliás, corre o grande risco de ficar sem trabalho no ano que vem. Afinal, ele é brasileiro. E se ficar fazendo doce, perde o emprego para um dos milhões que estão desempregados esperando apenas uma oportunidade para ganhar uma merrequinha.
Sofre o velhinho e sofre também os seus sósias por todo o Brasil. Aqui mesmo, em minha cidade, tem um tanto deles nas lojas, nas esquinas e nos shoppings. Todos morrendo de calor, americanizados, etc e tal. Pobres coitados!
Outro dia ouvi um destes sósias do Papai Noel dizendo: -- I have a dream , ops... digo: -- Eu tenho um sonho. Sonho com o dia em que teremos Papais Noeis aos montes, todos vestidos de short e regatas, de verde e amarelo, sorrindo cariocamente nas ruas das cidades...
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