Hoje, quando acordei, senti falta de ti.Meus olhos buscaram a tua imagem;
Minhas mãos, a tua pele;
Meu nariz, o teu cheiro;
Minha ouvido, as tuas palavras.
Foi estranho dormir sem me despedir de ti,
E mais estranho ainda acordar com uma espécie de vazio.
Um silêncio lúgubre dentro do meu coração
foi quebrado pelo canto dos pássaros;
Lindas vozes celestiais que cantarolavam à minha janela cheias de esperança.
Mesmo assim senti tua falta, nada me faz esquecer...
Hoje foi diferente...
Acabei de acordar e estou só!
Sem a esperança de ir até cozinha e encontrar-te.
Sua imagem ainda recente;
Fresquinha como orvalho da manhã,
Ainda aparece na minha mente.
Hoje, não entendo por que isto acontece...
Eu que tantas vezes pensei dominar a mim mesmo.
Que tinha tanta certeza de todas as coisas.
Hoje estou à deriva.
Não sei o que desejo ao certo,
Não sei o se o que quero é certo,
Não sei explicar o que é isto que sinto.
Eu que sempre pensei ter todas as explicações,
Eu que nunca me calei diante das de todas as situações,
Estou à deriva, calado, parado, a pensar... a lembrar... a desejar.
Opa! Um barulho na porta....
Não é você, por mais especial que seja, não é você e não me satisfaz!
Por mais ilustre que seja não é quem eu quero ver.
Hoje estou só.
Isto não significa que um dia já estive acompanhado
Não significa que você já desejou me acompanhar,
Mas que hoje me sinto só.
Sinto falta de ter,
Vontade de ver,
Desejo de encontrar,
Sem poder te procurar.
Vejo-me inerte neste meu quarto.
Não tenho vontade de ir,
Quero dormir,
Quero sonhar e ao menos em sonho te encontrar.
Ahh! Eu não sei o que é isto que sinto,
Este sentimento alienígena me deixa cheio de incertezas
Sei que devo seguir em frente;
Percorrer a longa jornada de cabeça em pé,
Olhar para a vida com olhos de fé.
É isso que vou fazer,
E nas palavras de Neruda encerrar a confissão de hoje:
Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.
Humberto Ramos
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